IX MOSTRA DE ANIMAÇÃO


apresenta:

IX MOSTRA DE ANIMAÇÃO

de 18 de julho a 05 de agosto

 

Entre os dias 18 de julho e 5 de agosto, o CINUSP apresenta a nona edição da sua Mostra de Animação, explorando a variedade de estilos, técnicas e histórias que podem ser contadas a partir dessa forma de se fazer cinema. São 15 longas e 8 curtas  escolhidos pela equipe de curadoria, e uma batalha onde o público poderá eleger o filme que será exibido.

    Algumas animações são clássicos do gênero, e se tornaram sinônimo do que é essa forma tão variada de arte para os menos entendidos do assunto. Wallace e Gromit: A Batalha dos Vegetais, dirigido por Nick Park e Steve Box, é um desses filmes. Vencedor do Oscar de Melhor Animação em 2006, sendo o primeiro longa de stop-motion a conseguir a estatueta, o filme conta a história de Wallace e Gromit tentando desvendar o mistério por trás dos vegetais que estão sendo atacados no vilarejo onde moram. A maneira como o stop-motion é animado com pouca interferência do digital, dá uma ar artesanal ao filme, que, junto do humor leve, explicam seu sucesso. Mas mesmo antes do lançamento do longa, Nick Park já fazia curtas com esses personagens, e um dos mais famosos é Wallace e Gromit: As Calças Erradas, também ganhador de um Oscar de Melhor Curta Animado, onde os dois tem que lidar com um novo colega de quarto que se revela um ladrão procurado pela polícia. O ritmo da montagem e o mesmo estilo de stop-motion do longa criam uma peça divertidíssima.

    Outro clássico britânico de animação é o filme Submarino Amarelo, de Georges Dunning, que conta como os Beatles salvaram Pepperland dos Azuis. O filme é quase todo animado em 2D e com algumas inserções de elementos colagem e rotoscopia de imagens. O estilo psicodélico reflete o final dos 60 e início dos anos 70, além de referenciar diretamente a estética que a própria banda adotou no álbum de 1967, “Sgt. Pepper 's Lonely Hearts Club Band”, cujas músicas são utilizadas como parte da narrativa, e rendem cenas que funcionam quase como videoclipes dentro do longa. 

    Também animado em 2D, um clássico que ganhou espaço alguns anos após sua estreia nos cinemas por meio da televisão, e hoje, pelo streaming, é o filme O Gigante de Ferro, dirigido por Brad Bird. Nele, um menino encontra um robô gigante que o governo acredita ser uma ameaça comunista e faz amizade com ele, lutando para que o robô não seja destruído. O ponto de vista infantil tomado pelo filme faz com que o espectador se emocione com uma ficção científica com elementos de neo-noir, e que na época desafiava o que as animações de grandes estúpidos vinham fazendo ao recusar a fórmula romances e comédias musicais. Junto com ele, exibiremos o curta-metragem Superman: Os Monstros Mecânicos, de Dave Fleischer, que também aborda a questão de alienígenas que lutam pela humanidade. 

    Mas não apenas de clássicos, nossa programação se sustenta, trazendo também filmes que vão além daquilo que estamos habituados a chamar de animação. Ainda nos EUA, o filme de 2021 e que foi lançado apenas para streaming no Brasil, A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas, dirigido por Michael Rianda e Jeff Rowe, e realizado pelos mesmo animadores de Homem-Aranha no Aranhaverso, conta a história de uma família que enfrenta o apocalipse robô. A mistura de formas de animação, mesclando colagem, 3D e  2D, com uma linguagem muito próxima da internet, fazem dele um filme que dialoga muito bem com o seu público infanto-juvenil.

    Outra mistura possível e muito interessante é a junção do live action com a animação, como é feito no filme O Barão Fanfarrão, de Karel Zeman. Um filme da Tchecoslováquia, lançado em 1961, onde o Barão Munchausen, acompanhado pelo Homem da Lua, viajam pela Terra, resolvendo e criando problemas para si mesmo e para os outros que encontram pelo caminho. Os personagens são todos interpretados por atores, mas os cenários onde a história se passa são, em sua maioria, animados, técnica que  remete aos filmes do Primeiro Cinema. Por meio desse recurso, criam-se imagens muito bonitas, e que se somam a coloração do filme que é toda monocromática, ora amarela, quando é dia, ora azulada, quando é noite, que dão ainda mais charme às imagens. 

    Indo na contramão de buscar imagens bonitas por meio do uso da animação, o filme A Casa Lobo, de Cristóbal León e Joaquín Cociña, é um stop motion diferente do que normalmente associamos ao termo. Ao utilizar materiais menos sofisticados, como papelão, fita crepe e barbante e jogando com a opacidade do cinema, o filme cria um incômodo que faz juz ao tema que aborda: a história da Colônia Dignidade, no Chile, um lugar criado por um refugiado nazista pédofilo, e que foi usado como cadeia política e local para tortura durante a ditadura de Pinochet, além dos abusos infantis perpetrados pelo seu fundador. Também sobre o passado e as heranças malditas do Chile, o curta Os Ossos, dos mesmos diretores, faz uso das mesmas técnicas de animação, mas se apresentando como um filme antigo restaurado. A história é um conto de horror histórico, com uma carga simbólica muito grande, que apresenta um ritual de divóricio do país com duas das figuras que moldaram o seu passado colonial e ditatorial. 

    Ainda falando de filmes que usam a animação para representar algo cruel, A Tragédia de Belladonna, dirigido por Eiichi Yamamoto, é um longa experimental que conta a história de uma camponesa no Japão feudal que foi estuprada em sua noite de núpcias, e para buscar sua vingança faz um pacto com o Diabo. O filme é feito a partir de aquarelas, e tem um tom surrealista e psicodélico, em determinados momentos, a tela se torna um grande quadro aquarelado estático, causando o incômodo da situação vivida pela personagem. Também experimental e psicodélico é o curta Asparagus, de Susan Pitt, que por meio de composições visuais constrói uma reflexão simbólica e ácida sobre a sexualidade feminina.

    Alguns filmes da mostra acompanham personagens femininas em diversos momentos de suas vidas, e a forma da animação reflete esses estágios e segue o tom de suas jornadas. Vírus Tropical, de Santiago Caicedo, acompanha Paola desde seu nascimento até os 16 anos. Baseado em uma graphic novel de mesmo nome, a animação tem um estilo quadrinesco, usando de ilustrações preto-e-branco para construir o relato em primeira pessoa da personagem. Carne, de Camila Kater, por sua vez, é um curta super colorido que usa diferentes formas de animação, desde desenhos na areia e pintura em porcelana, até intervenções em película, para ilustrar os relatos de 5 mulheres em diferentes estágios da vida. 

    Também explorando uma animação mais fluida, com uma cara bastante única, A Menina Sem Mãos, dirigido por Sebastian Laudenbach, conta a história de uma garota que é vendida pelo pai em troca da fortuna enquanto ela busca escapar do bruxo que a comprou. O filme é composto de ilustrações simples, apenas traços e cores, e ainda assim é capaz de transmitir os sentimentos dos personagens. O curta de stop motion tcheco A Mão, de Jiří Trnka, é outro que, por meio da simplicidade, é capaz de expressar emoções. O personagem principal é um boneco sem expressão alguma que tem sua paz perturbada por uma mão que o força a fazer uma escultura sua, mesmo com uma premissa simples, e personagens construídos sem muitos detalhes, a ação consegue expressar tudo que está sendo sentido por ambos. 

    O Serviço de Entregas da Kiki, de Hayao Miyazaki, é o quinto filme lançado pelo famoso estúdio Ghibli. Ele conta a história da bruxa Kiki que, como parte de seu treinamento, vai viver sozinha para ganhar independência. A animação, com destaque para os cenários, é bastante detalhista. Tudo foi desenhado à mão, apesar de, em 1989, já existirem softwares de computação gráfica capazes de auxiliar no trabalho, por uma escolha criativa do estúdio e seu diretor. 

Também sobre meninas fortes, A Ganha-Pão, de Nora Twomey, acompanha Parvana, uma menina de 11 anos no Afeganistão recém tomado pelo Talibã, enquanto ela se veste de menino para poder trabalhar e sustentar sua família. A animação que oscila entre um 2D menos estilizado e uma animação super estilizada, acompanha a narrativa que se desenrola paralelamente num presente cruel e um passado mítico que dá forças para a personagem no presente. Em Wolfwalkers, dirigido por Tomm Moore e Ross Stewart, voltamos a uma Inglaterra feudal, onde uma garota quer ser caçadora e ajudar seu pai a exterminar os lobos, mas acaba se tornando Wolfwalker, uma espécie de guardiã deles. A animação também alterna entre algo menos estilizado e mais estilizado para representar a visão de lobo da menina.

Historietas Assombradas: O Filme, de Victor Hugo Borges, é um longa brasileiro inspirado na série de animação de mesmo nome. O filme brinca com fantasia e mitos para compor uma espécie de terror com comédia para crianças, e a animação “estranha” é parte dessa mistura inusitada. Também fantástico é o planeta onde se passa Os Mestres do Tempo, de René Laloux, que conta a história de Piel perdido no planeta enquanto aguarda o resgate de Jaffar, amigo de seu pai. A trama é baseada no romance de 1958, “O Orfão de Perdide”, de Stefan Wu, e conta com ilustrações do cartunista Moebius, que dá uma cara única ao filme. 

Ainda no registro da fantasia no cinema de animação, Além da Lenda, de Marília Mafé e Marcos França, que será lançado nos cinemas em 4 de agosto, terá uma sessão no CINUSP no dia seguinte ao lançamento. O filme expande as histórias contadas na série infantil animada da TV Brasil de mesmo nome, e acrescenta ao folclore um livro místico das lendas que só aparece no Dia do Saci, e todos os anos os seres fantásticos de outros países tentam roubá-lo. Também para crianças, Lé com Cré, de Cassandra Reis, é um curta feito no Departamento de Cinema e Rádio e TV da USP, onde crianças são entrevistadas e representadas na tela por meio de animações que elas próprias escolheram. A inocência das crianças e a animação fofa criam um filme muito cativante. 

    Além dessa sessão especial, teremos uma Batalha Pixar vs. DreamWorks, onde irão competir entre si dois clássicos da animação dos anos 2000. Monstros S.A, de Pete Docter, sobre a fábrica de pesadelos das crianças, onde os monstros aprendem a assustar e são designados para atormentar a noite de crianças específicas, e Shrek 2, de Andrew Adamson, Conrad Vernon e Kelly Asbury, que continua a história de Shrek e Fiona, quando o pai da princesa morre e eles precisam se adaptar às  novas posições de  Rei e Rainha de Tão Tão Distante.   

    Não importa o ano, o gênero ou a nacionalidade, animações, em suas mais variadas facetas, encantam e divertem crianças e adultos. Nesse mês de férias, o CINUSP traz uma seleção diversa para agradar todos os públicos!

 

Boas sessões!