Grandes Fracassos

A Marca do Assassino

5 de outubro de 2026 - 19h00 - CINUSP - Nova Sala
15 de outubro de 2026 - 16h00 - CINUSP - Nova Sala
17 de outubro de 2026 - 18h00 - Cinusp Maria Antônia

Sinopse

Goro Hanada, um homem com fetiche pelo cheiro de arroz cozido, é o terceiro melhor assassino da Yakuza. Ao receber uma missão de uma mulher misteriosa, uma borboleta pousa delicadamente sobre sua espingarda, fazendo-o errar o alvo e matar um civil. Seu prestígio na hierarquia da máfia japonesa, então, entra em ruínas.

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Hoje um clássico da Noberu Bāgu japonesa, "Branded to Kill", de Seijun Suzuki, é uma corajosa ruptura com o ninkyō eiga, o filme yakuza “heróico” de rígidos códigos morais. Fugindo das fórmulas comerciais dos estúdios, Suzuki experimenta um ero-guro-nansensu (“erótico-grotesco-absurdo”) numa montagem fragmentada e elíptica, avessa às convenções do gênero. No escuro espectral do ringue, essas descontinuidades convergem: à espera da luta final, do paroxismo, da realização, o desejo não pode senão ebulir e consumir-se.

 

Estudo de caso: A Marca do Assassino (1967) 

Em 1968, o mundo parecia ferver. Se, na França, a demissão de Henri Langlois da direção da Cinemateca Francesa foi um dos estopins culturais que antecederam as revoltas de Maio de 68, no Japão, uma história curiosamente semelhante começava a ser delineada. Em abril daquele ano, Seijun Suzuki, uma das figuras mais emblemáticas e produtivas da Nikkatsu - um dos estúdios mais antigos do país - também foi demitido, após o lançamento de “A Marca do Assassino” (1967). Cansado dos acordos que limitavam sua liberdade artística, radicalizou sua experimentação formal, alterando roteiros prontos da Nikkatsu e, consequentemente, rompendo com todas as expectativas comerciais do estúdio. Todavia, o filme teve baixo desempenho comercial, dividiu a crítica e foi considerado incompreensível pela direção do estúdio. 

Em resposta, cineastas, críticos, cinéfilos, estudantes e membros da Nova Esquerda Japonesa montaram o “Comitê de Luta pelo Problema Suzuki Seijun”, organizando protestos públicos e exibições clandestinas do filme. O choque e estranhamento inicial do público não impediram que o filme fosse posteriormente reavaliado e canonizado na vanguarda japonesa. 

Em 1968, os críticos da Kinema Junpō (revista de cinema mais antiga do Japão) classificaram  "A Marca do Assassino” em um ranking anual: “36º e último lugar. Apenas 2 pontos, atribuídos por Shirai Yoshio; nenhum dos demais críticos o pontuou.” Em 2009, a mesma revista classificou-o em 33º lugar entre os 200 melhores filmes japoneses já realizados. 

 

Ficha técnica

Japão, 1967, 91'

Direção: Seijun Suzuki

A Marca do Assassino