A Regra do Jogo
13 de outubro de 2026 - 16h00 - CINUSP - Nova Sala
17 de outubro de 2026 - 16h00 - Cinusp Maria Antônia
Sinopse
Numa grande casa de campo no interior de França, a burguesia e a aristocracia se divertem caçando e realizando bailes de máscaras, até que os emaranhamentos começam a desmoronar.
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Antes de tudo, Renoir faz um filme sobre a potência que reside naquilo que não se realiza completamente, sobre aquilo que ainda resta por dizer após os olhos se fecharem: se há decadência é porque há passagem, transição do claro ao escuro ou vice-versa, na qual os corpos se coalisam em algo de místico, e não de corpóreo, em espírito e não em carne. Se Truffaut dizia que "A Regra do Jogo" é "o credo dos cinéfilos", é porque Renoir, antes de ser um padre ou um apóstolo, é um santo.
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“Ou eu abandonava a França, ou o cinema”
- Jean Renoir
A Regra do Jogo, produção mais cara da França até então, era antecipado como mais um sucesso de Renoir, com grandes expectativas e uma distribuição engajada; o filme, entretanto, foi mal recebido pelo público e pela crítica. Sendo um retrato cruel da decadência de um moralismo aristocrático tipicamente reconhecido como francês, testemunhando o fim de um mundo, desagradou a sociedade e os valores burgueses. Já na sua estreia, o filme levou o público a ânimos furiosos, que queriam destruir o filme e o cinema, e saiu de cartaz em três semanas por causa de sua baixa audiência. A crítica corrente da época, ainda que ambígua, não o levou a sério.
Após esse primeiro momento, o filme passa por uma jornada curiosa: em 1942, o estúdio que armazenava os negativos originais foi bombardeado pelos Alemães, e o filme foi considerado perdido. Em 1946, um corte menor foi encontrado, e o filme começou a circular em cineclubes, cinematecas e festivais, e sua reputação começou a crescer, fazendo parte, já em 1952, da primeira lista de “dez melhores filmes já feitos” da revista Sight & Sound. Em 1956 encontram-se cópias dos negativos originais, e o filme é restaurado de maneira mais fiel ao seu corte original, sendo finalmente exibido no Festival de Veneza em 1959, onde é profundamente apreciado, levando o próprio Renoir às lágrimas: François Truffaut o chama de “o credo dos cinéfilos, o filme dos filmes, o mais odiado em seu lançamento, o mais apreciado depois”.
Ficha técnica
França, 1939, 110'
Direção: Jean Renoir
