9 de outubro de 2026 - 16h00 - CINUSP - Nova Sala
13 de outubro de 2026 - 19h00 - CINUSP - Nova Sala

Sinopse

Um egiptólogo, tentando decifrar um manuscrito sobre uma civilização antiga, testemunha um crime, e começa a ser perseguido por isso.

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Toda a produção de Sganzerla, Bressane e Helena Ignez com a Belair, no começo da década de 70, culmina no seguinte: o ideário que compõe a pátria como algo presente e reconhecível para si tomba, rompe, implode; o "Brasil" vê-se desfigurado, transformado na condição de hieróglifo, que não é só uma língua estrangeira, mas uma linguagem que para ser lida precisa introduzir uma fissura, um sulco na terra. O cinema se torna então o lugar privilegiado dessa destruição da própria Terra: apocalíptico, sim, porque monstruosamente constrói um mundo novo.

 

Informação Crítica 

Em 1970, após o efeito desnorteador da produção e grande circulação dos primeiros filmes associados ao intitulado “cinema marginal”, Rogério Sganzerla, Júlio Bressane e Helena Ignez fundaram a produtora clandestina — ou o “terremoto”, como dizia Haroldo de Campos — Belair Filmes: tratava-se da fundação do cinema como “um fenômeno popular e de envergadura, ligado às nossas melhores tradições como o samba, o rádio e o jeito de ser brasileiro”, de maneira que isto implicasse uma profunda subversão daquilo que se entendia por popular, sem dúvida. Resultado: produção voraz, sete filmes, até que, acusados de subversão nacional, partem os três para o exílio. A inovação não foi só suprimida, mas introjetada: por exemplo, a relevância da postura “marginal” para a fundamentação da chanchada, bem como a reflexividade sobre a identidade nacional que torna impossível não pensar criticamente o próprio Cinema Novo. Abismu, filme que Sganzerla realiza na volta do exílio, em 1977, e que passa décadas na clandestinidade e no desconhecimento — restaurado e exibido no Festival de Locarno em 2023 —, ou Viola Chinesa, filme da volta de Bressane, em 1975, realizado com Grande Otelo, colocam a seguinte questão: as categorias de “fracasso” e de “sucesso” são abaladas, e não há mais solo possível senão o da invenção: “a Belair é o vento que sopra de uma pátria cinematográfica futura”: acerca disso tudo, ainda não vimos nada.

 

Ficha técnica

Brasil, 1977, 83'

Direção: Rogério Sganzerla

Abismu