Aniki-Bóbó
10 de outubro de 2026 - 15h00 - Cinusp Maria Antônia
15 de outubro de 2026 - 19h00 - CINUSP - Nova Sala
Sinopse
O pequeno Carlitos está apaixonado por Teresinha, mas sua natureza tímida e quieta não permite que ele fale com a garota. Ao descobrir que Teresinha quer uma boneca de pano caríssima de uma loja do centro, Carlitos bola um plano para conquistar a menina.
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Aniki Bobó é um filme de doçura inigualável e de pulsão de vida ímpar. Manoel de Oliveira em seu primeiro longa já apresenta a genialidade na decupagem que marcaria seu cinema. Aqui a câmera é baixa, sempre acompanhando a altura do ponto de vista dos personagens infantis. A trama, embora simples, consegue trazer o peso das decisões da vida infantil e apresentar comentários críticos a uma sociedade portuguesa dominada pelo regime de Salazar. Mais de 80 anos depois, Aniki Bobó ainda faz rir e chorar tal como deveria ter feito na década de 40.
Infromação Crítica
A partir de 1932, Portugal passa a viver sob regime autoritário comandado por Antonio de Oliveira Salazar. O chamado Estado Novo perdurou até 1974 e utilizou o cinema de forma direta como forma de propaganda. Em 1935 surgiu o denominado Cinema do Povo, programa do governo que pretendia fazer exibições de filmes de propaganda anticomunista. O cinema de ficção que o regime defendia buscava exaltar valores defendidos pelo Estado Novo, por isso, quando Aniki Bobó é lançado, o filme é escanteado totalmente. Depois de sua estréia no cinema Éden em Lisboa, Aniki Bobó não conseguiu tração para permanecer nas salas, sendo totalmente deixado de lado por crítica e público. A obra que trazia um retrato crítico de uma sociedade punitiva, dura e assolada pela dureza da ditadura, não foi bem vista pelo regime. Com isso, Manoel de Oliveira dedicou-se a cuidar de negócios da família, trabalhando em pequenos curtas aqui e ali e tendo financiamentos de longas negados por anos. O próximo longa metragem do diretor veio 21 anos depois com Ato da Primavera, as sombras expressionistas e as tendências neorrealistas de Aniki Bobó passaram a ser debatidas e o filme foi ganhando cada vez mais espaço, Oliveira se tornou um diretor central do cinema europeu e as crianças da cidade do Porto começaram a ser vistas em telas ao redor do mundo, sem dedos ditatoriais apontando quais são os caminhos certos para o povo.
Ficha técnica
Portugal, 1942, 71'
Direção: Manoel de Oliveira
