Grandes Fracassos

Flores de Papel

9 de outubro de 2026 - 19h00 - CINUSP - Nova Sala
14 de outubro de 2026 - 16h00 - CINUSP - Nova Sala

Sinopse

Um famoso diretor, descobre em Shanti o potencial para uma grande estrela. A carreira de ambos se torna palco dos jogos de ascensão e queda da indústria cinematográfica.

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Flores de Papel acontece majoritariamente nos bastidores da indústria. Entre os artefatos de um set, o mais prestigiado é a cadeira de diretor, que de forma irônica não carrega nome, apenas função. O personagem de Suresh Sinha, enquanto diretor, é o genio e a celebridade de seus filmes. Entretanto, a direção de Guru Dutt aponta quão frágil é essa posição, tão elevada, mas tão passível de queda. A vida privada e o jogo de reações são capazes de te entregar essa cadeira e a retirar num piscar de olhos.

Uma pintura da própria dor:

“Guru Dutt disse a Johnny Walker: ‘Johnny, acho que não sei dirigir filmes. Eu perdi o controle’” (USMAN; YASSER, 2020, p. 203).

Guru Dutt vinha do sucesso de Pyaasa, o que tornava a aventura em seu próximo longa, o primeiro em Cinemascope da Índia, uma possível garantia de sucesso. Mas, como no próprio longa, a vida pessoal turbulenta do diretor se mostra inconveniente: sua dinâmica conturbada com a esposa, junto de um comportamento difícil no set, tornaram toda a produção um desafio à parte.

Tudo culminou no lançamento desastroso, tanto em bilheteria quanto em crítica, de Flores de Papel, descrito pela Filmindia (1959) como: “... uma história deprimente e incoerente, contada de maneira enfadonha.” O fracasso financeiro não abala tanto Guru Dutt, mas a falta de compreensão do público o levou a uma espiral de melancolia e vícios. Passou a se enxergar como incapaz de dirigir qualquer outro filme e assim o fez.

Guru Dutt morreu em 1964, aos 39 anos, entregue ao vício em bebidas. Após sua morte, entre os anos 1970 e 1980, seu cinema começou a ser revisitado, como nos estudos do crítico francês Henri Mucciollo, que o descrevia como sensível e impulsivo.

A mistura entre a ficção e a realidade parece impossível de se contornar quando falamos do diretor, Yasser Usman em seu livro diz que essa relação é como se ele quisesse pintar sua verdadeira dor na tela, para pintá-la e curá-la. 

 

Ficha técnica

Índia, 1959, 142'

Direção: Guru Dutt

Flores de Papel