Grandes Fracassos

Ouro e Maldição

5 de outubro de 2026 - 16h00 - CINUSP - Nova Sala
11 de outubro de 2026 - 18h00 - Cinusp Maria Antônia
14 de outubro de 2026 - 19h00 - CINUSP - Nova Sala

Sinopse

Tendo deixado a miséria das minas de ouro da Califórnia para trás, um dentista encontra, em um bilhete de loteria, toda a ganância do mundo.

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Em "Ouro e Maldição", André Bazin reconhece as sombras de um realismo que pairava sobre o cinema e que faria sentir seu peso definitivamente sobre as obras de Renoir, Welles e Rossellini: o de Stroheim é um cinema que crê no real, dirá o crítico francês, e é no reflexo deste real que se divisa o mundo. A câmera, porém, não é um instrumento transparente de medição absoluta da vida, mas a mediadora da construção recíproca do real pela imagem — e da imagem pelo real. É a existência da personagem que permite ao ator solidificar-se sob o seu gesto.

O Áureo e o Maldito

O filme que se conhece pelo título “Ouro e Maldição” corresponde somente a um fragmento daquilo que seu autor, Erich Von Stroheim, a princípio imaginou. Ao selecioná-lo como a maior de suas obras, dirá, em 1927, que “era um grande filme. Não como foi lançado, mas na versão completa que nunca viu a luz do dia para além da sala de projeção do estúdio.” A princípio, Stroheim dispõe de um orçamento de 347 mil dólares concedido por Sam Goldwyn, que resulta em um filme de 9 horas mutilado pelos estúdios até chegar a um corte de pouco mais de 2 horas. 

Os negativos das partes cortadas foram queimados pelos estúdios a fim de extrair de sua emulsão alguns centavos de prata. Além de um fracasso comercial, as críticas aprofundaram a sua miséria. Na revista Harrison's Report, já em 1924, o filme encontrou a sua crítica mais infame: “Se houvesse um concurso para determinar qual é o filme mais imundo, asqueroso e desprezível da história do cinema, tenho certeza de que ‘Ouro e Maldição’ teria a honra de vencê-lo.” 

O tamanho de sua redenção crítica é, no entanto e felizmente, comparável ao do desprezo de que foi objeto. Em 1952 a obra passa a integrar, em 7º lugar, a lista dos 100 melhores filmes de todos os tempos organizada pela revista britânica Sight and Sound e desde então tem sido amplamente reconhecido como um dos maiores filmes de seu tempo: o dirá Ruy Gardnier, “apesar de todas as mutilações e violências que sofreu, [o filme] ainda continua uma fonte inesgotável de novidade.”

 

 

Ficha técnica

EUA, 1924, 140'

Direção: Erich Von Stroheim

Ouro e Maldição