Um Corpo que Cai
Sinopse
Um ex-detetive se afasta do cargo devido a sua acrofobia. Mesmo assim, aceita um trabalho para ajudar um amigo e acaba se apaixonando pelo alvo da investigação.
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É difícil pensar em "Um Corpo que Cai" sem voltar à imagem de Kim Novak, os cabelos loiros, o vestido verde, o restaurante todo vermelho. Tão importante quanto a disfunção de James Stewart e o efeito de vertigem que daí nasce, essa imagem se derrama e assombra todo o resto do filme, reunindo vertigem, paixão e enganação em um só olhar. O que começa como um encantamento incontrolável por uma imagem permeada de mistério acaba terminando com James Stewart declaradamente recriando-a, numa tentativa de torná-la eterna.
Informação Crítica
A recepção inicial de Um Corpo que Cai foi mista. Hitchcock já era um cineasta bem consolidado, com trinta anos de carreira, e diversos sucessos de público e crítica. Ainda assim, pairava o medo de um autor que se solidificasse numa estrutura formulaica. A princípio, foi essa a impressão da crítica em relação a Um Corpo que Cai: o New York Times escreveu contundentemente o seguinte: “Se você quiser despedaçar Um Corpo que Cai, ele se rasga facilmente”; de acordo com a Sight & Sound, “Já estamos acostumados — e até gostamos — de ver Hitchcock repetir seus efeitos, mas, desta vez, ele está repetindo a si mesmo em câmera lenta”. Em contrapartida, a crítica francesa o admirou: Éric Rohmer, escrevendo para a Cahiers du Cinéma, escreveu que “Ideias e formas seguem o mesmo caminho, e é porque a forma é pura, bela, rigorosa, surpreendentemente rica e livre que podemos dizer que os filmes de Hitchcock — com Um Corpo que Cai à frente — tratam de ideias, no sentido nobre e platônico da palavra”. A relevância de Um Corpo que Cai para a história do cinema provou-se, posteriormente, incomensurável, seja pela relevância na constituição da nouvelle vague ou da Nova Hollywood, pela reavaliação crítica operada pela própria Cahiers ou pelo revisionismo da própria Sight & Sound. Tanto o é que Godard, em História(s) do Cinema, fala de Hitchcock como “o único poeta maldito que, sendo o mais belo criador de formas do século XX, conseguiu o êxito de dominar o universo”.
Ficha técnica
EUA, 1958, 128'
Direção: Alfred Hitchcock
